Direita/Esquerda; Liberal-Conservador/Progressista

Os acontecimentos dos últimos anos no Brasil terão (eu acredito) um efeito profundo na forma como cada um de nós se define e se posiciona perante a sociedade. Na verdade, até o início de 2002 eu nunca me preocupei muito em como a política poderia afetar minha vida. Era mais um tema do meu trabalho do que algo que pudesse me definir como pessoa ou cidadã.

De fato, hoje – final de 2017 – eu consigo identificar que a política começou a afetar minha vida quando a possibilidade de Lula se eleger presidente do Brasil foi se definindo como um fato. Foi aí que precisei começar a justificar minhas opções políticas, foi aí que começaram a me questionar sobre minha posição política: esquerda ou direita. E aí eu comecei a ter problemas.

Primeiro eu precisava escolher entre dois polos; a direita ou a esquerda. Minha formação se limitava a essas duas realidades. Eu precisava escolher uma. Mas, durante toda minha vida vi a direita ser associada ao governo ditatorial dos militares e a esquerda a galera que resistiu e defendia os direitos dos excluídos. Mas, eu já tinha inteira consciência de que sou da elite privilegiada com boas escolas, boas moradias, recursos para estudar, viajar, ler. E a elite era a principal defensora dos militares ditadores e da manutenção dos privilégios (foi assim que aprendi). E o justo, correto e bem aceito era defender os desvalidos. Mesmo assim, eu não me confundia, nem me questionava sobre isso. Ia levando. Me auto classifiquei como uma elite consciente e segui em frente.

Mas, em 2002, tive que escolher votar na esquerda ou na direita (retratadas na época pelos candidatos Lula e José Serra) – note que Lula nem é tão a esquerda e Serra muito menos a direita, mas era essa dicotomia que imperava na época.

E eu escolhi não votar na esquerda.

E eu tive que me justificar, afinal a justiça estava ao lado da esquerda no imaginário de então.

Meu discurso na época se limitava a dizer que não confiava em uma palavra que o candidato Lula dizia. O achava populista, que falava o que se queria ouvir (populista) e temia que ele jogasse no lixo a estabilidade conquistada pelo Real. Além disso, via nas administrações municipais petistas atitudes inconsequentes que agradavam e davam uma sensação de bem estar para a população, mas que não se sustentariam ao longo do tempo.

Minha falta de confiança na nossa esquerda partia diretamente de seu líder máximo, Lula. No ano anterior às eleições ocorreu um fato que guardo até hoje como um exemplo do caráter desse cidadão. Sem ter ainda muitos votos acima dos 30% que sempre teve em eleições passadas, Lula tentava articular parcerias com setores mais alinhados aos conservadores/direitistas agora retratados como o partido a ser combatido pelos petistas: o PSDB. Nessa busca valia tudo.

Certa manhã, eu me encaminhava para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado ao lado do senador a quem assessorava, grande empresário paulista com extrema capacidade de diálogo, quando fomos interceptados pelo então deputado Aloízio Mercadante. Me afastei, seguindo em direção à CAE, deixando os parlamentares conversarem, até que passei por um saguão que dava acesso ao subsolo e, escondido em um canto, lá estava Lula. Era uma emboscada. Lula queria falar com o senador, mas mandou o deputado na frente para preparar o terreno. Assim que vi o candidato olhei na direção do senador que me acenava impaciente. Voltei correndo e seguimos a passos largos (largos mesmo, o senador tinha pernas imensas) em direção ao gabinete, sem trocar uma palavra. Tentei avisar que Lula estava esperando no corredor, mas ele pediu silêncio e só voltamos a falar dentro da sala.

Foi aí que soube como funciona o “sistema de trabalho” de Lula. Ele não pede nada, não propõe nada, coloca um enviado para fazer o trabalho sujo e ele só confirma com o aperto de mão.

Enquanto eu caminhava em direção à CAE, Mercadante fez a proposta infame. O senador se bandearia para o PT, levando o seu apoio político e financeiro, e Lula garantiria que ele seria o candidato ao Senado no ano seguinte na vaga de …… Eduardo Suplicy. Suplicy é até hoje um petista de carteirinha, topa todos os desejos do partido, faz qualquer coisa pelo PT, e, naquela época tinha eleição garantida para mais oito anos. Além do mais, era do círculo de amizades do senador. Ele ficou indignado com a proposta e se negou a qualquer tipo de contato com Lula naquele momento.

Para mim, aquele era o pior indício de que a falta de compostura seria a marca de um governo comandado por Lula.

Porém, parecia que só eu me dava conta de que “iria dar merda”. Mas, me rendi ao melhor dos argumentos que ouvi: está na hora da alternância no poder, dar chance para fazer diferente. O argumento veio de minha irmã, e achei válido. Não votei em Lula, mas coloquei o coração à larga e esperei para ver.

Lula foi eleito e o povo achou lindo aquele palavrório sem fim. Discurso pra todo lado, metáforas futebolísticas e papo de pai pra filho. Surfando na estabilidade econômica (fato inusitado na vida dele e na da maioria dos jovens) e num cenário mundial satisfatório, Lula foi ficando cada vez mais convencido e cheio de apoiadores. Não sou um ás da economia, mas sabia que alguma coisa não estava certa. Mesmo com pouca experiência em orçamento, sabia que aquelas contratações por concurso, subsídios e etc teriam um preço mais adiante.

Mas, quem poderia criticar publicamente um presidente com 90% de popularidade? Eu, não, violão. Aproveitei e fiz vários concursos públicos – não passei em nenhum – mesmo sabendo que esse Estado cheio de funcionários para pagar acabaria pedindo falência.

Os problemas começaram a aparecer com a crise de 2008. As medidas de apoio a setores da economia se intensificaram e o Brasil conseguiu passar pelo tsunami mundial. Mas, passado o pico da crise, quem disse que as medidas extraordinárias tomadas para enfrentar os problemas foram suspensas. Nada disso, o Brasil seguiu mantendo as iniciativas emergenciais tornando-as permanentes. A conta viria, certamente.

Com o poder da popularidade, Lula elegeu Dilma. E aí o trem descarrilou de vez.

Com o discurso do “nós contra eles”, explicitado na disputa PT x PSDB, Lula dividiu o Brasil

(continua)

“Listinhas”

Me acostumei a ver minha mãe fazer listas para tudo, lista de mercado, lista de despesas, lista do que precisa ser feito hoje, o que precisa ser feito em tanto tempo. Enfim, uma infinidade de listas.

Ela também não perdia uma oportunidade de me incentivar a fazer as minhas próprias listas. Uma tentativa vã de me fazer mais organizada. Confesso que tentei várias vezes adotar este hábito. Sempre sem nenhum sucesso. Mas, continuo tentando.

Hoje mesmo fiz mais uma lista do que precisa ser feito antes da viagem de minha filha – marcada para 31 deste mês (outubro). Falta muita coisa, mas ela acha que tem todo o tempo do mundo e que não há necessidade dessa minha tensão. Quero ver quando faltar uma semana para a viagem… e o pior é que nem vou poder rir ou dizer “eu avisei” porque a moça vai estar uma pilha de nervos e terei que ser compreensiva. Pelo menos fica registrado aqui que “eu sabia”.

Tiago Lacerda e o abuso de poder

O ator Tiago Lacerda entrou na briga política com tudo (ele sempre participou, lembre-se, mas sempre muito discreto e pontual).

O alvo desta vez foi a tentativa da dupla Renan Calheiros & Romero Jucá, com o apoio escancarado do Roberto Requião (muito R nessa história) de anular os avanços da Lava Jato com a aprovação de uma lei sobre abuso de poder.

Vale dar uma olhada:

 

Boff aceita críticas, mas se vier de fora

A “esquerda” brasileira sempre apontou a imprensa como reacionária, manipulada pelo mercado e pelos poderosos. Por esses motivos, e outros tantos do gênero, qualquer crítica publicada contra o PT, Lula e congêneres é apontada como falsa, tendenciosa e eivada de erros jornalísticos.

Pois então… Críticas de jornais estrangeiros está valendo. Mesmo vindo de jornalista brasileira. Até para falar mal de Lula.

Vejam o post publicado por Leonardo Boff, o teólogo militante endeusado por muitos, em seu blog:

Uma elite amoral e mesquinha se revela nas delações da Odebrecht

21/04/2017

Precisava vir alguém de fora, de uma jornalista Carla Jiménez do jornal espanhol El Pais (17/04/2017) para nos dizer as verdades que precisamos ouvir. Seguramente a grande maioria concorda com o conteúdo e os termos desta catilinária contra corruptos e corruptores que tem caracterizado nos últimos tempos o Brasil. Formou-se entre nós, praticamente, uma sociedade de ladrões e de bandidos que assaltaram o país, deixando milhões de vítimas, gente humilde de povo, sem saúde, sem escola, sem casa, sem trabalho e sem espaços de encontro e lazer. E o pior, sem esperança de que esse rumo possa facilmente ser mudado. Mas tem que mudar e vai mudar. È crime demasiado. Nenhuma sociedade minimamente humana e honesta pode sobreviver com semelhante câncer que vai corroendo as forças vitais de um nação. Enganam-se aqueles que eu, pelo fato de defender as políticas sociais que beneficiaram milhões de excluidos, realizadas pelos dois governos anteriores, do PT e de seus aliados, tenha defendido o partido. A mim não interessa o partido mas a causa dos empobrecidos que constituem o eixo fundamental da Teologia da Libertação,  a opção pelos pobres contra a pobreza e pela justiça social, causa essa tão decididamente assumida pelo Papa Francisco. É isso que conta e por tal casusa lutarei a vida inteira como cristão e cidadão.Estou convencido de que o  Brasil poderá ser,  quando bem governado, a mesa posta para as fomes e sedes do mundo inteiro. Creio que  a revelação de tais crimes, sua punição, o resgate dos bilhões de reais ou de dólares roubados e devolvidos aos cofres públicos,nos deem duras lições. Que todos vigiemos para que nunca se esqueça e nunca mais aconteça. O texto foi tirado do IHU de 18de abril de 2017: Lboff

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Eis o artigo

O Brasil saltou de uma transmissão política em preto e branco para alta definição de uma semana para outra com a lista de Fachin. Tudo se conhecia mais ou menos por meio de vazamentos em um ou outro veículo de comunicação. Mas ouvir a voz dos corruptores e vê-los em vídeo relatando seus crimes por horas a fio é mais doloroso. É como se a própria mãe estivesse contando que na verdade você é filha do irmão do seu pai, ou de um ladrão de bancos, ou de um estuprador. O impacto é violento, ainda que você desconfie que a verdade da sua vida era outra.

Depreende-se das horas de gravação da delação da Odebrecht uma elite hipócrita, amoral e mesquinha que enxerga o Brasil como uma S.A. para seu usufruto, e não como a sociedade que deveria ser. Tudo ainda precisará de provas concretas, mas o mundo revelado por Emílio e Marcelo Odebrecht tem corrupção a la Casas Bahia ou a la galeria Lafayette, dependendo do freguês. Um ministro da Fazenda, Guido Mantega, que determinava os destinos do dinheiro público depois de supostamente negociar milhões de doação com uma fornecedora do Governo, anotando valores a pagar ao partido num papelzinho, segundo Marcelo Odebrecht. Um irmão do ex-presidente Lula que teria recebido mesada de 6.000 reais por ser simplesmente irmão do ex-presidente, segundo outro. Um governador, Aécio Neves, que teria cobrado 3% de empreiteiras numa obra bilionária em Minas Gerais, e teria levado milhões para defender a participação da Odebrecht no setor elétrico.

Tem até o ex-relator do impeachment no Senado, Antonio Anastasia – que discursava indignado sobre o crime das pedaladas fiscais de Dilma Rousseff no ano passado – e que agora terá de provar que não é criminoso, apesar da acusação de que teria recebido caixa 2 de baciada da Odebrecht. O presidente da República, Michel Temer, que diz não ter negociado propina, mas que recebeu em seu escritório um representante da empresa ao lado de dois dos nomes do seu partido que negociaram esses recursos ilícitos – um deles, Eduardo Cunha, comparado ao traficante Marcola, pelo também acusado Renan Calheiros –, segundo o denunciante. Hipócritas. Hipócritas. Hipócritas.

Doação de seis milhões de reais aqui, 50 milhões acolá, 2,5 milhões ali. De onde vem tanto dinheiro? Só a Odebrecht pagou 10,6 bilhões entre 2006 e 2014, segundo ela. É pornográfico imaginar quanto ela ganhou em troca nesses projetos de obras públicas, e quanto outros defensores da moral e dos bons costumes de Brasília ganhavam em nome de supostas campanhas políticas. E estamos falando de apenas um setor específico. Imagine um pente fino nos planos de saúde, a indústria de carne, as agências de publicidade, o setor automotivo. Sem ilusões de que quem não está na lista de Fachin é inocente. Ou podemos confiar na sensibilidade social do ministro da Saúde, o deputado Ricardo de Barros, que não deixa de lembrar em todas as suas entrevistas a quais interesses serve na hora de falar sobre o assunto que hoje administra?

Elite criminosa

O que é a pedalada fiscal hoje, se não cosquinhas perto da monstruosidade que o topo da pirâmide política e econômica promove no Brasil. Que fatiaram o país e o dividiram entre os partidos políticos, tal qual o boi nos cartazes do açougue, segundo as investigações. Cada pedaço pertence a um partido, a uma facção da legenda, e, confirmando-se as acusações da Lava Jato, seu trabalho parlamentar fica reduzido ao de um despachante, ou corretores de influência, cobrando uma fração do sucesso dos negócios com o Governo, pelo que consta até aqui. As diretorias da Petrobras era do PT, PP e PMDB. A Câmara, da turma do Temer e do Eduardo Cunha. O Senado, de Eunício Oliveira e Renan Calheiros, segundo delação de Delcídio do Amaral. As hidrelétricas de Furnas, do PSDB de Aécio, segundo Marcelo Odebrecht. O metrô de São Paulo, do PSDB paulista, segundo as investigações. E assim por diante. Está tudo ali, para quem quiser ver. Definitivamente, a propinocracia brasileira tem muitos reis.

Políticos que mentem descaradamente sem mexer um músculo do rosto. Vaidosos, gravaram vídeos no início da Lava Jato usando frases como “ninguém aguenta mais a corrupção do PT”, com lama até a cintura. Garantiram suas aposentadorias com dinheiro desviado e agora acreditam ter legitimidade para decidir o destino da velhice de todos os brasileiros que fizeram o verdadeiro papel de palhaços neste teatro.

Uma elite corruptora com representantes como Marcelo Odebrecht… Um executivo preparado para assumir os negócios da família que quis provar ser melhor que o pai da maneira mais irresponsável, comprando fatias de mercado. Análise freudiana à parte, deu aos executivos do grupo a prerrogativa de corromper seus políticos do entorno para conseguir obras públicas. E como prêmio, pagava bônus anuais milionários. “Vira uma bola de neve”, afirma Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, explicando por que deu propinas de 6 milhões de reais ao pastor Everaldo. “Tudo distorcido”, confessa Reis agora. E por que não questionou? Por que não se demitiu? Por que não denunciou?

Em determinado trecho da sua delação, Marcelo fala sobre um diálogo com Graça Foster, ex-presidente da Petrobras. “Sempre fui aberto com Graça… fui franco quando me perguntou… ”, diz ele. Na conversa, admitia que pagara por fora para o PMDB e para o PT por uma obra da petroleira. “Se não tivesse o PT no meio, eu não falaria”, querendo mostrar coerência e, quiçá, lealdade aos nomes que estavam ocultos. Mas o que é ser aberto, senhor Marcelo? Qual é o critério de correção, de lealdade, de franqueza que passa na cabeça de um homem que estruturou um setor que distribuiu bilhões em propinas ao longo de oito anos [ou será mais tempo]? É esse o modus operandi dos empresários bilionários deste país?

Que elite mais desgraçada. Jogam o Brasil na bacia das almas para 2018, entre um lunático como Jair Bolsonaro e um novato na política executiva, João Doria Jr., que insiste no discurso que o grande problema da corrupção brasileira é só o PT. Por favor, pare de repetir isso, prefeito. Seu padrinho e amigo há 38 anos, o governador tucano GeraldoAlckmin, é um dos políticos campeões em caixa 2, segundo a Odebrecht, usando o irmão da primeira dama de São Paulo como receptor. E sendo seu partido o terceiro mais celebrado pela Odebrecht, com 152 milhões de reais em recursos ilícitos, ao que consta das delações, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo. Ao PT coube a maior fração, 408,7 milhões, porque estava com a máquina pública federal. Vários governadores tucanos parecem ficar à vontade com quinhões obscuros nas gestões estaduais.

Lula, por outro lado, mais do que os crimes a que responde, feriu de golpe a esquerda no Brasil. Ajudou a segregá-la, a estigmatizar suas bandeiras sociais e contribuiu diretamente para o crescimento do que há de pior na direita brasileira. Se embebedou com o poder. Arvorou-se da defesa dos pobres como álibi para deixar tudo correr solto e deixou-se cegar. Martelou o discurso de ricos contra pobres, mas tinha seu bilionário de estimação. Nada contra essa amizade. Mas com que moral vai falar com seus eleitores?

Saiam todos, por favor. Vocês são maus exemplos a seguir. Despertam ojeriza. Dediquem o que resta de suas vidas a entregar tudo, a detalhar tudo, a terminar de contar o que falta para que o Brasil se estabeleça como uma sociedade mais sadia, menos tóxica. Nenhum país merece que a riqueza seja comandada por quem não tem um mínimo de solidariedade com o país e vive da mesquinharia que alimenta a miséria. Acordão? Só se for para admitir crimes. Ambicionem entrar para a história como os que ajudaram a mudar o rumo, sem violentar a esperança alheia. Uma mensagem que cabe ao Judiciário, inclusive, que como disse o ministro Luís Roberto Barroso ao citar o direito penal, “deixou erguer um país de ricos delinquentes, que vivem de fraudes às licitações, lavagem de dinheiro entre outros crimes”. Vistam a carapuça. Deixem a Justiça atuar e paguem pelos seus crimes. É o melhor que vocês podem fazer para justificar a própria existência.

Trump, Lula e suas “coincidências”

 

Foto oficial

Confesso que fiquei surpresa com a eleição de Donald Trump para a presidência. Pode-se falar o que quiser, apresentar qualquer justificativa sociológicamente explicativa, mas esperava mais dos norte-americanos. Eles não seriam capazes de eleger uma besta, mesmo que fosse para derrotar a Hillary.  Vejam o que faz a ignorância sobre o que passa pelo mundo.

Tivessem os norte-americanos prestado um pouquinho de atenção ao que ocorria no maior país da América do Sul (Brasil, para quem não sabe) teriam identificado aonde levaria (levará?) aquele discurso idiota, típico de uma republiqueta de bananas cuja sociedade acredita em indivíduos todo-poderosos que poderão resgatá-los de suas dificuldades.

Nós sabemos no que dá tal empreitada.

No início ficamos meio atordoados com as promessas e medidas apoteóticas, mas passado algum tempo, a realidade vem com a conta. Espero que a realidade seja mais rápida por lá. E reparem que a foto é ameaçadora. Ele veio “causar”e avisou antes.

Nosso Trump é mais discreto e enganador. Vejam pela foto oficial abaixo. Todo sorridente, amigável, com cara de coração mole….  E roubou e deixou robar como ninguém mais. Levou a corrupção no Brasil ao estado da arte. Trump é cópia cuspida e escarrada do Lula, apenas é louro, alto, olhos azuis e um diploma de Wharton School.

Foto oficial

 

EFICIÊNCIA

Por mera coincidência, resolvo começar meus registros exatamente no dia em que a Polícia Federal retoma sua rotina de ações de prisão, condução coercitiva e busca e apreensão. É a primeira do ano. Desta vez mais um empresário famoso (Eike Batista) receberia voz de prisão se, misteriosamente, não tivesse embarcado para New York em voo que deixou o Rio de Janeiro na noite do dia 24. Sozinho e, provavelmente, com seu passaporte alemão. Ele está em NY mesmo, sei por que ele viajou na classe executiva de um voo em que viajou um amigo de minha filha.

Então vamos aproveitar o tema: Operação Lava-Jato.

 Desde março de 2014 o país vem sendo sacudido a intervalos inesperados com a maior denúncia de corrupção do país. Maior em volume de dinheiro e no alcance político e empresarial. As cifras são astronômicas. Na Operação Eficiência de hoje, um desmembramento da Operação-Mãe – Lava-Jato, em apenas uma operação de propina envolvendo o ex-governador do Rio, Sergio Cabral, chega a impressionantes US$ 16,5 milhões. No total foram US$ 100 milhões.

O sangue quase ferve quando a gente ouve falar do volume de dinheiro movimentado por empresário, políticos e agentes públicos. Por trás desses números estão a quebra financeira da maior empresa brasileira, a Petrobras, a quebradeira geral do país provocada pelo gigantismo do Estado brasileiro, e a falência dos estados governados por aliados do governo que acumularam dívidas contando com a permanência de aliados no comando do país e com a impunidade de um esquema que envolve pessoas tidas, até então, como intocáveis.

A lista de presos é extensa. Além de Eike Batista, ainda não preso, o ex-presidente da Odebrecht – Marcelo Odebrecht , e o ex-governador do Rio – Sergio Cabral. A imprensa, num gesto bastante louvável, ignora que o pai de Sérgio Cabral é uma figura conhecida da cultura carioca, o jornalista, escritor e compositor Sérgio Cabral. Segundo a revista Veja: “O jornalista Sergio Cabral, pai do ex-governador do Rio, está com Mal de Alzheimer. Quando perguntado sobre o que aconteceu com seu filho, preso na operação Lava-Jato, ele responde que o menino morreu ainda criança.”